Sinal FracoCapítulo 1 de 5
Capítulo 1

A torre nova

Leandro Maia tinha instalado quarenta e três torres de telefonia em onze anos de profissão, e nunca, em nenhuma delas, sentira o que sentiu ao subir o morro de Pedra Mansa.

Era uma cidade de dois mil habitantes, escondida entre serras do sul de Minas, onde o sinal de celular sempre foi uma lenda. As pessoas se comunicavam por rádio amador, por bilhetes na venda do seu Cândido, por gritos de uma janela à outra. Quando a operadora anunciou a instalação de uma torre, a cidade fez festa.

Leandro chegou numa quarta-feira de manhã, com uma equipe de três ajudantes e um caminhão carregado de módulos e cabos. O prefeito, um homem baixinho de gravata larga, os recebeu com um discurso, um bolo de fubá e uma faixa pintada à mão: "Bem-vindo ao futuro".

— O local escolhido fica perto da represa — explicou o engenheiro da operadora, desdobrando um mapa. — Ponto alto, boa visada, sem prédios no caminho.

A represa de Pedra Mansa era um lago escuro, de águas paradas, cercado de eucaliptos. Fora construída nos anos setenta, para abastecer uma usina que nunca funcionou. As crianças da cidade não gostavam de se aproximar. Diziam que, à noite, se ouviam vozes.

Leandro ria dessas histórias. Preferia números. Em dois dias, montou a estrutura metálica, fixou as antenas e conectou o sistema de energia. Na sexta, às seis da tarde, ligou o equipamento e esperou.

Na primeira hora, os celulares da cidade começaram a apitar. Mensagens atrasadas, notificações, vídeos que carregavam aos poucos. Na praça, os moradores se abraçavam, filmavam, riam. O prefeito chorou diante da câmera.

Leandro, cansado, sentou-se no capô do caminhão e abriu o próprio telefone para avisar a esposa. Foi aí que viu a notificação.

Um SMS, de um número desconhecido, com um DDD que nunca vira: 00.

"Por favor, nos ajude. Estamos na represa."

Franziu a testa. Provavelmente um erro, um spam, algum teste da operadora. Apagou a mensagem e foi jantar na pensão.

Às onze da noite, o telefone vibrou de novo. Outra mensagem, do mesmo número.

"Ela está molhada. Por favor, venha."

Leandro sentou-se na cama. Sentiu um arrepio. Digitou de volta: "Quem é você?" A resposta veio em segundos.

"Não temos nome. Só o sinal."

Ele ficou olhando a tela por um longo tempo. Depois, de repente, o aparelho começou a vibrar sem parar. Dezenas de mensagens chegaram, de números diferentes, todos com o mesmo DDD impossível. Pedidos de socorro, nomes soltos, rezas, risos, um choro de criança.

Todos terminavam com as mesmas palavras:

"Na represa."

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